21/09/2022
Renda fixa ganha espaço, mas diversificação das carteiras segue no radar
Com os juros globais em alta na tentativa de controlar a inflação, a renda rixa voltou ao radar dos investidores e vem ganhando espaço nas carteiras de investimentos. Embora o movimento, na visão dos especialistas, faça sentido, manter um portfólio diversificado segue relevante pensando em oportunidades que surjam na renda variável. Na opinião dos especialistas que participaram nesta quarta-feira de painel no MKBR22, evento organizado pela ANBIMA e pela B3, o cenário incerto gera dúvidas nos investidores que precisam rever suas carteiras, mas sem abrir mão da diversificação.
O cenário desafiador, destaca o gerente de Representação e Distribuição da ANBIMA, Luiz Henrique Carvalho, vem sendo marcado por vários fatores que impactam no dia a dia dos investimentos e obrigam a uma revisão das carteiras. “Foram dois anos difíceis, com uma taxa de juros saindo de 2% ao ano, um patamar histórico, para os atuais 13,75%, sem falar na Guerra da Ucrânia e na covid-19, que levaram a uma inflação global forçando a uma perto monetário”, comenta Carvalho, acrescentando que o conjunto de fatores mudou a perspectiva dos investimentos.
Dentro deste cenário, os participantes do painel foram unânimes ao destacar que as oportunidades claras de um ganho maior e com pouco risco na renda fixa têm atraindo cada vez mais o interesse dos clientes. Para Marília Fontes, sócia-fundadora da casa de análises de investimentos Nord Research, todo o conjunto de mudanças no ambiente macro dos últimos anos deve sustentar juros mais altos e por mais tempo do que se supunha.
“A inflação está persistente, mais do que gostaríamos, e a desaceleração virá em breve. Foram décadas de juro baixo global e ativos de risco, como ações ganhando espaço, mas agora o movimento é inverso e o investidor precisa readequar a carteira adicionando papéis de renda fixa, que tem risco menor e hoje é bem remunerada”, comenta.
A visão de que quem há quatro ou cinco anos engordou os portfólios com ativos de risco perdeu dinheiro, pondera Luciane Effting, head da área de Distribuição de Investimentos do Banco Santander, não é totalmente correta. “Quem fez a alocação com uma assessoria adequada e respeitando o perfil e a diversificação necessária, sempre olhando o longo prazo, passou melhor pelos desafios dos últimos dois anos. Quando bem assessorado, o cliente não entra na alta e sai na baixa, o que faz toda a diferença em cenário de estresse”, explica Luciane. “Foi pior para quem apenas seguiu uma tendência, sem respeitar a diversificação. É natural que parte do portfólio vá para a renda fixa, mas mantendo outros ativos na carteira. Vejo o investidor mais maduro neste sentido.”
Posição também defendida por Carvalho, da ANBIMA. “É importante aproveitar oportunidades de ganhos com o juro alto, más mantendo parte do portfólio em bolsa, em renda variável, porque faz sentido no médio e longo prazo”, comenta acrescentando em favor da diversificação a importância de a indústria se comunicar melhor como investidor, relacionando o portfólio com objetivos reais do cliente, em diferentes horizontes de tempo.
Um exemplo de iniciativa neste sentido em do Nubank que criou “caixinhas” para que o investidor consiga associar a alocação com seus planos reais. “Recebíamos pedidos de pessoas que queriam separar o dinheiro e lançamos em julho as ‘caixinhas’ que podem ser criadas para viagem, reserva de emergência ou outra finalidade. Em um mês, foram 2,2milhões de caixinhas criadas e 1,8 milhões de investidores utilizando, muitos que jamais tinham investido”, explica Fernando Miranda, vice-presidente de investimento do Nubank. “Planejamento financeiro, organização é um desafio da sociedade brasileira e quando conecta necessidade com objetivo fica mais claro e fomenta a poupança. É menos o ativo e mais do que você quer fazer.”
Luciane reforçou a importância de os bancos e as corretoras empreenderem esforços para ajudar o brasileiro a criar o hábito de poupar, o que exige falar de investimento de forma mais simples. Otimista, ela lembrou que vê o investidor mais consciente e maduro nos últimos anos, buscando sim conhecer novas oportunidades de investimentos que incluem ativos do exterior. “A regulação ajudou e hoje ativos como BDRs, ETFs e fundos que investem no exterior têm espaço nas carteiras o que é muito positivo. O importante é aproveitar a renda fixa em alta, mas mantendo a diversificação.